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Profissionais de saúde da Guiné-Bissau estagiam no Hospital Senhora da Oliveira em Guimarães

Profissionais de saúde da Guiné-Bissau estagiam no Hospital Senhora da Oliveira em Guimarães

Saúde8 de Novembro, 2016 10:00

Dois médicos e uma enfermeira estão a realizar estágio no Hospital de Guimarães para adquirir mais competências no tratamento de doentes, ao abrigo de um programa de estágios apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao abrigo do programa «Estágios de curta duração destinados a profissionais de saúde dos PALOP e Timor Leste», da Fundação Calouste Gulbenkian, estes profissionais de saúde vieram para Portugal adquirir conhecimentos, durante três meses, sobre cuidados de saúde que ainda não são prestados no seu país de origem. Um dos médicos, Quintino Badam, está no processo de assimilação de conhecimentos no Serviço de Anestesiologia e o outro, Vasco Na Dum, conjuntamente com a enfermeira Alexandrina Moura, está a estagiar no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital.

O Hospital de Guimarães tem já um histórico de colaboração, em termos de saúde, com a República da Guiné Bissau. Tendo as autoridades deste país realizado já uma cerimónia de reconhecimento a alguns profissionais envolvidos nas missões de cooperação e solidariedade, bem como ao próprio Hospital, em Dezembro passado.

Ainda que, desde 2014, existe um protocolo entre o Hospital e o Instituto Marquês de Valle Flôr que aborda a partilha de princípios e que prevê, concretamente "a colaboração entre as duas entidades para a realização de sessões de formação de recursos humanos guineenses e de campanhas de informação e educação para a saúde, assim como a doação de equipamentos fora de uso no Hospital e de consumíveis médico-cirúrgicos, sempre que possível e de acordo com as necessidades do projeto, de forma a potenciar a eficácia das missões e a superar algumas das faltas e necessidades em equipamentos e materiais na respetiva área de intervenção".
Para o Director de Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital, José Manuel Furtado, que é também orientador, "estes profissionais da Guiné vêm realizar um estágio com uma componente mais observacional, estando limitados à realização de alguns actos. De acordo com os seus planos de estágio, vão adquirir conhecimentos de técnicas que ainda têm um desenvolvimento preliminar no seu país ou ainda não se realizam. Fomos contactados por estes profissionais porque também já temos alguma experiência de missões humanitárias realizadas na República da Guiné-Bissau, até mesmo pelo protocolo que temos com o Instituto Marquês de Valle Flôr".

Para os guineenses, a experiência tem sido muito positiva ao nível da aprendizagem e da troca de conhecimentos. "Decidi vir para Portugal ter esta experiência porque, em primeiro lugar, Portugal é um país com a mesma língua, o que facilita na aprendizagem. Depois porque a forma de trabalhar na Guiné é totalmente diferente, assim como os protocolos de tratamento. Estamos carenciados na área da saúde, por isso esta experiência tem sido muito boa, pois tenho aprendido novas técnicas no bloco operatório", refere Quintino Badam.

Já a enfermeira especialista Alexandrina Moura menciona a importância da aquisição de experiência para quando voltar poder ajudar o seu Hospital, mas salienta também a cidade que a acolhe. "Por exemplo, lá temos o aparelho de CTG (cardiotocografia), mas está parado porque não sabemos utilizá-lo; agora já aprendi um pouco a realizar estes exames que dará para começarmos a fazer. A cidade de Guimarães é muito linda e tranquila, estamos a gostar muito de aqui estar", frisa.

Já o médico Vasco Na Dum afirma que "ter o diploma superior não basta, precisamos de evoluir a cada dia que passa, sobretudo na área da medicina. O nosso país tem ainda uma distância grande para a Europa, por isso decidi candidatar-me ao estágio para aprender algo novo e desta forma, quando voltar, poder dar a minha contribuição no sentido de poder melhorar a saúde materna na Guiné. Como sabemos, a mortalidade materna é um dos problemas de saúde pública no meu país, só aprendendo técnicas de tratamento novas podemos melhorar esta realidade. Já tinha ouvido falar em alguns tratamento e exames, mas que nunca tinha visto, como por exemplo o rastreio de cromossomopatias durante a gravidez ou o seguimento das grávidas diabéticas que aqui em Guimarães se faz; estou ainda a tentar aprender a realizar ecografias o que seria muito bom para mim".

 

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