Curtas
«O Verde a Preto e Branco» na Colecção de Fotografia da Muralha, no Guimarãeshopping. Até 3 de Novembro
Facebook Twitter Google + YouTube

Do oportunismo pontual

Artigo de opinião

opiniao
Do oportunismo pontual

Mesmo nas catástrofes naturais, em muitas delas, começa a ser possível antevê-las; senão com o rigor da previsão do seu acontecer em tempo real, pelo menos com alguma antecipação da probabilidade da sua ocorrência.
Por maioria de razão, no cada vez maior re­co­nhecimento da conca­tenação das causas que logo se tornam efeitos, também os de actuações voluntariamente ten­cionadas são suscetíveis de serem predeterminados e, portanto, desenhado o caminho que com elas se quer alcançar. Basta, para tal, ter uma ideia clara daquilo que se tem em vista; daquilo que se pretende intentar e depois recolher o maior número possível de dados para instruir esse futuro resultado e, sobre eles, se conceberem as várias simulações viáveis, estudar os melhores desenvolvimentos configuráveis destas, as alternativas que se possam pôr e, dentre elas, decidir as mais capazes para o objectivo que se quer atingir.
Metodologia suma­ria­mente esquiçada e ao acesso de qualquer, por ser mais de senso comum do que de um aprofundado saber epistemológico.
Assim, o projectar constitui um dos principais motores de qualquer pro­gresso, na medida em que consiste na inteligência para decidir do futuro, moldando-o segundo pers­pectivas antevistas e conscientemente desejadas. E tanto em relação à vida de cada qual, como à de uma sociedade. Embora e como facilmente se com­preenderá, nesta e para esta derradeira situação, o processo a seguir e na sua elaboração democrática, seja muito mais complexo.
Entretanto e crendo pa­cífico, nas suas linhas gerais, o anteriormente avançado, percebe-se rapidamente que o fundamental ponto de partida de qualquer projecto, no sentido atrás referido, é o daquela síntese, daquela ideia fulcro, que vai promover tudo o que se lhe seguirá e visará concretizá-la. Definida esta, decidida, o mais é trabalho, muito trabalho mesmo e, sobretudo, quando a sua amplitude ultrapasse o projecto singular, quase sempre, pela diversidade das áreas a abranger e dos interesses contemplados, se imporá o recurso a uma eclética multi-disciplinariedade de saberes. Nesta cir­cunstância, o de um pro­jecto para uma colec­tividade organizada democraticamente, a participação dos membros dela deve acompanhar, ab ovo, da formulação daquela ideia inicial, todas as fases em que ela irá sendo delineada e implementada; e, sobretudo, em qualquer delas, serem criadas condições para que todas as decisões estruturantes possam ser tomadas com audição universal e um grande grau de consciente comparticipação.
Acrescem, ainda e para além daquela maior dificuldade de concepção, aqueles projectos que se destinam a um pla­nea­mento territorial integral (isto é, que abarquem todos os campos de actividade que possam, e devam, ser atendidos no e para o respectivo espaço). E nestes, para além da realidade natural e humana existente, há condicionantes que tem a ver com a delimitação espacial e a sua subordinação a escalas maiores que os possam englobar. Tradicionalmente e por cá, na Europa, os níveis são normalmente três; que, por comodidade e serem as designações que usamos, lembra-se serem o local, o regional e o nacional (sem olvido do actual supra estadual, o cada vez mais presente da UE, de que se pode dar o exemplo do plano ferroviário de alta velocidade). Na evidência de que os de amplitude superior, no genérico da sua formulação, nas grandes linhas que definem, se impõem aos que lhe ficam sujeitos e que a estes, por balizados a esses varais, só lhes cabe descriminar as opções que o seu espaço possa comportar e, isto, dentro das suas atribuições e competências. E de, dentro desses ditos varais, terem a liberdade de as poderem planear consoante as vontades das respectivas populações.
Será bom, agora, chamar a atenção para a eterna insuficiência, e a cada vez mais premente prévia determinação da sustentabilidade social, no uso dos meios (particularmente para construir infraestruturas e dotar com equipamentos), e não só, que sempre acontecem; a que acresce ainda o tempo de decurso de qualquer processo (o entre a sua concepção e a sua conclusão efectiva). O que e quanto maior for a abrangência do projecto, e também a sua necessidade, leva-nos quase que directamente à hierarquização e definição de prioridades, pelo confronto com outros sempre concorrentes.
Entretanto, feito o reparo e baixando à circunscrição elementar do tema que se vem abordando, a local (que em Portugal, e bem, é o município), dada a sua já proximidade aos cidadãos, aquela ideia motivo tem de, e deve, ser acompanhada das linhas gerais destinadas a concretizá-la a curto e, pelo menos, médio prazo. Isto porque, assim, a selecção é facilmente visualizável por qualquer cidadão nessas suas expressões práticas e, portanto, prontamente por ele assimiláveis, capacitando-o para a eleição do que mais lhe convém. E se se pensar que o leque de áreas (campos de acção) que o dita ideia impõe para o seu pleno escopo, todos os campos que deve abraçar (porque o local, dentro das suas já referidas atribuições e competências, a todos mais ou menos acaba por conter), então, o entendimento do desígnio mostra-se claro na conclusão a retirar da análise das propostas. E, então, o voto político é, ou tem todas as condições para ser, esclarecido.
Não assim quando se intentam actuações desarticuladas; desinseridas da tal ideia condutora que, a todas, as integre e planeie segundo as suas prioridades e hierarquias. Isto é e para usar o inverso duma figura muito difundida: que as árvores sejam vistas e semeadas na floresta.
De outra maneira, ao não se deitar mão a essa racionalidade política, facilita-se e abre-se a porta a tudo. Mesmo tudo e, inclusivamente, à corrupção; já que as decisões e actuações desconectadas tendem a fluir para um subjectivismo que, quando cai em mãos frágeis ...
Mas o pior, o mal que pode ser irreversível (a neoplasia que pode impor-se a qualquer capacidade remissiva futura, com enormes custos para uma sua eventual reparação e estes serem atirados para os vindouros), são mesmo os danos. Ah! a gaspiage dos meios ... e não só! Não só!
Assim, porque se está em tempo de reflexão, talvez valesse a pena pensar nisto, porque as emergências de acidentes não são só os das catástrofes naturais e podem, até e com o tempo, ser muito mais perniciosos do que os daquelas.

Fundevila, 6 de Setembro de 2017
Óscar Jordão Pires
‹ Despertar da esperançaOs indignados ›

Rádio Santiago em Direto

Cantinho do Puff

Farmácias de Serviço

Guimarães

Farmácia Vitória (Permanente)
GuimarãeShopping, Alameda Dr. Mariano Felgueiras, Lj 101/102

Farmácia Faria (Disponibilidade)
R. do Calvário, 201

Vizela

Farmácia Ferreira (Disponibilidade)
Avenida Abade de Tagilde, Nº 901

As nossas publicações

Desenvolvido por 1000 Empresas

Contactos

Edifício Santiago
Rua Dr. José Sampaio n.º 264
4810-275 Guimarães
Tel.: 253 421 700
Email: geral@guimaraesdigital.com