Curtas
Concerto comemorativo do centenário do Orfeão de Guimarães, sexta-feira, 21h30, na igreja de S. Francisco.
A Afonsina apresenta o CD «Primeiro», sábado, 21h30, no Largo da Oliveira.
«O sonho de voar», exposição de fotografia Mário Cruz, na Assembleia de Guimarães. Até 29 de Novembro.
«Memento - Raimundo Fernandes, um coleccionador de Guimarães», Casa da Memória. Até 4 de Março.
«Paisagens silenciosas» na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho. Até 29 de Novembro.
Facebook Twitter Google + YouTube

O exemplo que somos

Artigo de opinião

opiniao
O exemplo que somos


No Sábado passado estive presente numa justa cerimónia de homenagem a Francisco Inácio da Cunha Guimarães, notável industrial e cidadão exemplar, vértice da extensa pirâmide de descendentes, mais de quatrocentos, boa parte deles residentes em Guimarães e todos, nem que fosse só por razões de ascendência – que muitas outras existem – ligados à nossa terra.

A exposição está patente no Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave sedeado em Vila Nova de Famalicão e, no ato da inauguração, Guimarães foi referida por várias vezes, por boas razões.

De entre elas destaco a elucidativa e agradável intervenção do Prof Lopes Cordeiro que apontou, como uma das razões para que, de entre os diversos municípios da região do Vale do Ave que poderiam ter recebido a sede do museu, a cidade de Vila Nova de Famalicão tivesse obtido para si o privilégio, foi o contributo que tal facto poderia dar para o enraizamento de uma desejável noção de pertença dos famalicenses à sua terra, de aprofundamento da sua identificação enquanto famalicenses.

Nesta parte da sua intervenção, o orador referiu que essa noção de pertença e uma tal identificação constituirão uma mais valia concelhia como, disse, “acontece em Guimarães”.

Não é difícil calcular que tal referência me encheu, como terá acontecido com todos os,muitos vimaranenses presentes, de vaidade, ao mesmo tempo que me fez refletir nesse facto hoje em dia notório e frequentemente notado mas que o não era, ou era-o muito menos em épocas mais recuadas, que é aquele sentimento de pertença de uma comunidade à terra que a todos irmana no orgulho da sua cidadania.

Evidentemente que o facto de Guimarães ter uma carga histórica intensa, consequência de ter aqui tido lugar aquele que vem sendo considerado o primeiro dos atos fundadores da nacionalidade portuguesa, de ser a terra do primeiro rei de Portugal, o que há gerações é permanentemente lembrado pela imponência e arquitetura do castelo em que ele teve a sua residência enquanto as obrigações da conquista de mais terras para a cristandade e para Portugal o não levaram a fixar-se mais a sul, radicará nisso, admito, a mais longínqua origem deste vimaranensismo que hoje é tão conhecido, admirado, invejado e, sobretudo, praticado.

Não esqueço que logo em criança ouvi dizerem-me, quando me queriam apontar caminho ou atitude diferenciadora do comum: e quando te perguntarem de onde és, dizes que és da terra de D. Afonso Henriques.

Admito que a partilha desta cidadania seja a semente da característica que aos vimaranenses é reconhecida de grande empenho nas coisas da sua terra, especialmente depois que se dissolveram por completo os odores, invisíveis mas agrestes, que lhe transmitia a indústria dos curtumes quando os restos da carne retirada do interior das pelas cruas apodrecia ao ar e o amaciamento delas era feito pelo primitivo e esforçadíssimo método de pisamento à força de pernas e pés descalços.

Não faltam exemplos do sentido de pertença a Guimarães, como, por exemplo, os antiquíssimos festejos em honra de S. Gualter, de que é expoente a Marcha Gualteriana, que concita o interesse e o aplauso das gentes de Guimarães que, na noite do desfile, afluem à cidade, vindas de todos os cantos da diáspora, sem, porventura, saberem que o encanto só é possível graças ao trabalho abnegado de grande número de obreiros que, terminado o cortejo, começam desde logo a construir aquele que dali a um ano há de produzir encantamento igual ou ainda maior, e assim fazem por amor à sua terra e aos que como eles lhe querem.

Aliás, a propósito das Festas Gualterianas, é de relembrar o que foi tido por feito espantoso, apontado como exemplo sem paralelo de empenho, capacidade e conjugação de esforços de toda uma população, que só um incomparável sentimento de salutar bairrismo poderia gerar, feito esse que foi o da construção, em 1947, de uma praça de touros, em apenas três dias (e três noites), para que o então popular número da “Tourada” pudesse ter lugar no domingo das festas desse ano, pois que, na segunda-feira anterior (dia 28 de julho), um incêndio destruíra completamente a então existente.

O desígnio de recuperação do Centro Histórico urbano, encetado com a primeira Câmara Municipal democraticamente eleita e que jamais cessou, ainda mais acentuou o sentimento de pertença de que venho falando, com os moradores a colaborarem ativamente no asseio das suas ruas e praças, em muitos do eventos que nelas têm tido lugar, como foi, um entre muitos exemplos, a participação deles na montagem dos palcos e das passerelles em que decorreram os vários desfiles de moda que ali tiveram lugar, tendo quem para tal estava habilitado, particularmente as moradoras da zona, prestado valiosíssima e ajuda nos ajustes das roupas que haviam de ser exibidos por profissionais da arte.

A massiva adesão dos vimaranenses aos inúmeros eventos que em Guimarães têm lugar, tanto dos moradores e agentes económicos com estabelecimento nas ruas e praças em que eles decorrem, como dos que aí afluem, são motivo de admiração e boa dose de geral inveja.

Sem esquecer esses fenómenos tão exclusivos e motivo de grande curiosidade e não pouco espanto, que são o multicentenário cortejo do Pinheiro, com que abrem as Festas Nicolinas, e o apoio multitudinário e entusiástico à equipa de futebol local, o Vitória de Guimarães, com que os adeptos e simpatizantes não faltam, nos bons e nos maus, nos melhores e nos piores momentos, factos estes igualmente fruto deste modo de ser tão próprio e tão identitário, que é este de ser vimaranense.

Voltando ao início deste texto, direi que é motivo de orgulho saber que quem, em outras terras, tem por gosto ou dever contribuir para o aprofundamento da respectiva cidadania, o faça com vista a que ali, ser cidadão, venha a sê-lo “como em Guimarães”.     

    


                                                                                             

             Guimarães, 11 de julho de 2017

António Mota-Prego

a.motaprego@gmail.com   





‹ A fronteiraO mês de Junho ›

Rádio Santiago em Direto

Cantinho do Puff

Farmácias de Serviço

Guimarães

Farmácia Horus (Permanente)
Largo do Toural, 26

Vizela

Farmácia Ferreira (Disponibilidade)
Avenida Abade de Tagilde, Nº 901

As nossas publicações

Desenvolvido por 1000 Empresas

Contactos

Edifício Santiago
Rua Dr. José Sampaio n.º 264
4810-275 Guimarães
Tel.: 253 421 700
Email: geral@guimaraesdigital.com